UPPE-Sindicato participa de audiência pública sobre bibliotecas escolares

A situação das bibliotecas escolares da Rede Estadual de Ensino foi o tema do debate da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na última quarta-feira (14/08). Representando a UPPE-Sindicato, a professora Luciane Azevedo destacou o importante papel das bibliotecas e o incentivo à leitura no processo de ensino e aprendizagem dos alunos.  A educadora, que representou a presidente da UPPES, Teresinha Machado da Silva, ressaltou como a falta de políticas públicas contribui para a desigualdade social no Brasil.

De acordo com a educadora, é necessário uma atenção especial das autoridades governamentais. “Em pleno século 21, temos um expressivo número de analfabetos funcionais. Pessoas que tiveram a oportunidade de passar pelos bancos escolares, mas mal sabem escrever e ler, devido ao baixo nível de escolaridade. Não conseguem interpretar e compreender um simples livro”, assinalou.

Segundo ela, não há o hábito de leitura em significativa parte da população. “O brasileiro, em um âmbito geral, não tem o hábito da leitura. Ele lê quando a Escola ou a Universidade determina. Nós acreditamos que para reverter esse quadro no nosso país, duas instituições são fundamentais se, de fato, quisermos construir uma sociedade leitora e letrada: a biblioteca e a escola”, frisou.

A professora Luciane Azevedo afirmou, durante seu pronunciamento, que o sindicato visitou diversas unidades escolares e constatou a ausência das bibliotecas ou falta de manutenção nas existentes. “Nós visitamos algumas escolas e constatamos que grande parte não possui biblioteca e, quando possui, o acervo não é atualizado”. A seu ver, outra questão preocupante é a situação dos profissionais. “O que nos preocupa muito é a questão dos profissionais. Em determinadas escolas, os responsáveis pela biblioteca são professores readaptados, educadores que, por algum motivo, ficaram licenciados e, quando retornaram, foram para biblioteca ou sala de leitura”, disse.

Para a sindicalista, a falta do profissional qualificado compromete o processo de incentivo. “Isso é prejudicial para o aluno, porque um espaço que deveria ser de fomento à leitura e incentivo, muitas vezes, acaba ficando obsoleto, pois o profissional não está capacitado para incentivar esse aluno e dar o suporte que ele precisa. Acaba o estudante, na era em que vivemos da tecnologia, se interessando por outros meios de informação e não o livro”, afirmou. De acordo com ela, a lei de universalização das bibliotecas (Lei. 12.244/2010) caminha para o descumprimento. “Como falta menos de um ano para o cumprimento dessa lei, sabemos que, provavelmente, não será cumprida a tempo. Deixamos nosso apelo para que os gestores das políticas públicas educacionais percebam a atenção que deve ser dada às bibliotecas escolares”.

O deputado Flávio Serafini, presidente da Comissão de Educação da Alerj, afirmou que o colegiado tem trabalhado por melhorias para a educação estadual e o incentivo à leitura é uma dessas ações. “A gente não tem dúvida de que na nossa luta por uma educação de qualidade temos um componente que é o estímulo à leitura, o acesso ao livro e o acesso à cultura como elemento central”.

O parlamentar fez o comparativo dos índices de leitura do Brasil com outros países. “O Brasil está, em diversos rankings internacionais, em desvantagem, inclusive com países vizinhos.       A gente pega a média de livros lidos por brasileiros e compara com a de vizinhos como Argentina e Uruguai e, infelizmente, no Brasil, a gente tem índices bem inferiores”, frisou.

Participaram da audiência pública, representantes do Sindicato dos bibliotecários do Estado, Conselho Estadual de Biblioteconomia, além de representantes de estudantes e da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), bem como os deputados: Waldeck Carneiro e Sérgio Fernandes, ambos membros da Comissão de Educação.

 

Projeto de Lei aprovado na Alerj

Foi aprovado, em 2ª discussão no plenário da Alerj, no dia 14 de agosto, o Projeto de Lei 597-A/2015, que institui o Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares do Estado do Rio de Janeiro (SEBE-RJ). De acordo com o PL, o objetivo é ampliar e organizar a oferta das bibliotecas escolares na Rede Estadual de Ensino. O PL segue para sanção do governador.

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