Servidores públicos merecem respeito!

  • Teresinha Machado da Silva

           Mais uma vez, fica provado que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, de fato não entende o papel do servidor público. Ele esteve oito anos à frente do Governo Federal e deveria ser o primeiro a reconhecer a importância dos servidores públicos para o país, trabalhadores que optaram de forma constitucional e após rigorosos concursos públicos, por servir ao conjunto da população. A fala do ex-presidente, no último dia 15 de setembro, não é digna de quem já ocupou o cargo mais alto da República.

            Lamentamos, profundamente, os ataques descabidos e as palavras pejorativas proferidas pelo mesmo ao se defender da denúncia do Ministério Público Federal, quando disse: “A profissão mais honesta é a de político. Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir para a rua, enfrentar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tem emprego garantido para o resto da vida.”

            Professores, médicos, policiais, enfermeiros, advogados, dentistas, psicólogos, lixeiros, militares e tantos outros profissionais do funcionalismo federal, estadual ou municipal, todos aprovados em concurso público, esforçaram-se muito para ocuparem seus cargos, cumprindo suas funções para o bem do Brasil com muita dedicação e comprometimento.

            Estes não foram financiados por alguma empreiteira e nem obtiveram seus cargos desviando dinheiro de alguma empresa pública. Lograram êxito após muito estudo e esforço, de forma limpa e honesta.

            Ainda meditando sobre as infelizes palavras do ex-presidente, vale ressaltar que o servidor público, de fato, não precisa “enfrentar” o povo anualmente, ou melhor, a cada quatro anos. Nesse ponto o Senhor Luis Inácio Lula da Silva e todos que pensam como ele têm toda razão. O servidor público não “enfrenta” o povo, o servidor público é o povo que faz parte desta nação e que atende, recebe, educa, cuida e dedica-se ao seu trabalho com muita garra e honestidade, tentando aplacar sua angústia em um país que tudo falta.

            Como exemplo, a educação em nosso país está precária. No último dia 08 de setembro, foram divulgados os dados referentes ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), e o resultado é preocupante. O Governo anterior apresentou o slogan “pátria educadora”, mas de acordo com o resultado divulgado podemos deduzir que o discurso está muito diferente da prática, ou seja, a realidade da educação brasileira está muito aquém do que foi proposto. Ainda convém lembrar que em nosso sistema de ensino há três milhões de crianças e jovens na faixa etária entre 4 e 17 anos fora da escola e quase 700 mil crianças entre 4 e 5 anos que não são atendidas pelo sistema.

            Hoje, estamos assistindo ao retrato de uma política irresponsável e que impôs sua ideologia em detrimento das necessidades básicas da juventude.

            No Rio de Janeiro, por exemplo, estamos nos sentindo órfãos de Secretário de Educação, uma vez que senhor Wagner Victer, na coluna Opinião do jornal O Dia, do último dia 16 de setembro, escreveu sobre turismo e nem sequer falou em educação. Ficamos admirados com a sua preocupação com o turismo enquanto a educação apresenta resultados decadentes, com uma imensa quantidade de crianças e jovens fora da escola e professores sem recomposição salarial, há dois anos.

          Muito nos entristece assistir, mais uma vez, à população e aos servidores públicos sendo penalizados em virtude da crise econômica. Principalmente os professores que já possuem tão poucos direitos e baixíssimos salários.

        Há décadas, temos depositado nas urnas nossa esperança, acreditando que teríamos educação, saúde, segurança, trabalho, aposentadoria, pensão e tantos direitos básicos, no entanto a realidade tem sido muito diferente de nossas expectativas.

             Dizer que o servidor público é um analfabeto político e que os eleitos pelo voto obrigatório nas urnas são os trabalhadores mais honestos do país é uma ofensa a quem, por meio de concurso, ocupa cargo público nas estruturas dos três poderes. E fazem isso porque amam sua profissão, seja ela qual for não precisam de votos. Chegaram aonde chegaram com dedicação, não com esquemas e sem lesar o patrimônio público. Precisam trabalhar por 30 anos, enquanto o político se aposenta com dois mandatos de 4 anos, independente de sua idade.

         São servidores públicos que estão descobrindo as fraudes que corroem nosso Brasil, do menor município à capital do país. São eles que ensinam a nossas crianças, que atendem em nossos hospitais e que patrulham nossas ruas.

             A UPPE-Sindicato repudia esse discurso e reafirma sua confiança nos servidores públicos de todas as esferas, tendo em vista que o serviço público é fundamental para o funcionamento das instituições democráticas e o respeito aos servidores é uma exigência de todo cidadão.

Publicado em 27 de setembro de 2016 na coluna Sem Censura, do jornal Folha Dirigida.

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