Reforma do Ensino Médio

         Os professores do Estado do Rio de Janeiro ligados à UPPE-Sindicato repudiam a retirada da obrigatoriedade das disciplinas de artes e educação física do currículo escolar do ensino médio. Os educadores lamentam que tal medida seja tomada logo após o fim dos jogos olímpicos, época em que tanto despertou o interesse dos jovens, não só pela prática esportiva, como também pela arte apresentada nas cerimônias de abertura e encerramento.

       Uma reforma educacional não pode ser feita sem um amplo debate com educadores e a sociedade. Ressaltamos que não fica claro como será o funcionamento das unidades escolares devido à quantidade de mudanças anunciadas. A Medida Provisória apresentada pelo Governo Federal tenta repetir um modelo educacional do passado que não deu certo, ao alinhar a oferta de conteúdos educacionais voltados à formação profissional.

      Há décadas, temos reivindicado que a melhoria para o ensino público ocorrerá  a partir da plena valorização do magistério e maiores investimentos em educação. Portanto, lamentamos que o governo imponha sua vontade sem uma consulta pública.

      A complexidade e a falta de clareza do que foi anunciado geraram muitas dúvidas. Como será implantado o regime integral? Observando, desde já, a falta de infraestrutura e apoio pedagógico presentes, atualmente, nas escolas públicas.

        Como se dará a contratação de profissionais por “notório saber”? Como representantes do magistério público, defendemos a formação acadêmica específica e a realização de concursos públicos, uma vez que o profissional pode deter grande conhecimento técnico e não dispor de recursos pedagógicos para transmitir o conhecimento e despertar o interesse do alunado.

       Além das questões profissionais, vale lembrar da  importância de ouvir o estudante, como forma de se aproximar do modelo ideal de ensino. Recentemente, o sindicato fez uma pesquisa, onde buscou a opinião das crianças e jovens sobre uma escola ideal. Dentre os entrevistados, muitos revelaram o desejo de aumentar o tempo de educação física, aulas de artes e o ensino de música.

     Destacamos que o ensino público não pode se restringir apenas à formação de mão de obra para o mercado de trabalho, tendo em vista que a escola é o principal meio de construção de uma sociedade justa e democrática, com professores valorizados, para construção do país e promoção da cidadania.

      Esperamos que tal medida seja revista e que se promova um amplo debate com educadores, sociedade e alunos, pois esses são os maiores interessados.

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