Combate à doutrinação ideológica nas escolas

*Teresinha Machado da Silva

 
        Vivemos em um mundo cuja prosperidade assenta-se no conhecimento e na capacidade de inovação, mas enquanto não tivermos um sistema público de ensino de qualidade capaz de oferecer igualdade de oportunidade para todas as crianças, não seremos uma nação desenvolvida. 
 
        Conforme o levantamento feito pelo movimento Todos pela Educação, com base no Censo Escolar de 2015, há uma grande deficiência em infraestrutura. Apenas 0,6% das escolas apresenta uma infraestrutura considerada completa e avançada, com sala de professores, biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva, além de laboratório de ciências e dependências adequadas para atender a estudantes com necessidades especiais. 
 
        Além disso, o magistério segue desvalorizado não apenas quando comparado a outras carreiras, mas também na comparação com economias de mesmo porte. Entre os países membros da OCDE, a média salarial do professor é três vezes maior que o salário do professor brasileiro.
 
        A carreira do magistério, hoje, não é capaz de atrair novos talentos para a sala de aula. Atualmente, observa-se um crescimento no número de vagas ociosas nos cursos de licenciatura. A última estimativa do MEC apontou uma carência de 170 mil docentes nos níveis fundamental e médio no país. 
 
        É preciso haver transformações necessárias na educação básica a fim de permitir o desenvolvimento de todo o potencial de nossas crianças e adolescentes.  Não podemos conviver com indicadores que envergonham nosso país, onde há cerca de 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola, sendo mais de meio milhão vítimas do trabalho infantil e onde 13 milhões de adultos ainda são analfabetos. 
 
        Erradicar o analfabetismo absoluto; reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional; alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o fim do 3º ano do ensino fundamental , assim como valorizar os profissionais da educação são metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que, infelizmente, não estão sendo aplicadas, desde que o Plano entrou em vigência. 
 
        Enquanto isso, alguns municípios, como exemplo  o  de Niterói,  estão preocupados em discutir questões que não deveriam nem estar presentes no Plano Municipal de Educação (PME), uma vez que já foram suprimidas do PNE, que é lei federal  e portanto não cabe ao município legislar sobre as mesmas. 
 
        Consideramos inapropriada a discussão de “Ideologia de Gênero”,no momento em que a educação do país passa por uma grande crise e necessita de tantas outras prioridades. 
 
        Devemos combater qualquer tipo de preconceito, discriminação e violência procurando sempre  saber lidar com as diferenças, não só no que diz respeito ao gênero, como  também às diversidades de cor, raça, cultura, religião, aspectos físicos, sociais  e etc.  Precisamos respeitar o próximo  e repudiamos todo e qualquer tipo de segregação. No entanto, o que não pode acontecer é o preconceito servir de pretexto para inserir os termos de gênero e orientação sexual nas escolas e ferir o princípio sagrado de proteção à criança.
 
        A educação  no Brasil , seja ela pública ou privada, não está em condições de ministrar um assunto tão complexo. Os professores que  estão em sala de aula devem ensinar os alunos a respeitar a diversidade de gênero, assim como qualquer outra diversidade.
 
        Acompanhamos todas as audiências relativas ao PME de Niterói e ficamos satisfeitos com a definição do novo Plano Municipal de Educação, do qual foi expurgada tal ideologia. 
 

         É necessário combater a prática da doutrinação política e ideológica em sala de aula. A escola deve debruçar-se no combate à discriminação, ao preconceito e à violência, enfatizando o respeito ao próximo. Já a orientação sexual não cabe aos professores, cabe aos pais o direito à educação moral de seus filhos, conforme nos garante a Constituição Federal! 


Publicado no dia 19 de julho de 2016 na coluna Sem Censura, do jornal Folha Dirigida.

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