Artigo da Presidente: Desafios do retorno às aulas

Teresinha Machado da Silva – Presidente da UPPE-Sindicato

 

Quando quase tudo começou a fechar, muitos acreditaram que isso duraria no máximo algumas semanas. O tempo foi passando, os dias viraram meses e já estamos há quase dois anos nesse pesadelo coletivo.

Tudo precisou mudar, a gente adaptou a vida e redefiniu o que realmente era prioridade mas, infelizmente, naquele momento, fechar as escolas foi necessário. As aulas on-line viraram um desafio para muitas famílias, para os professores e principalmente para os alunos das escolas públicas.

Antes do mundo parar devido à pandemia do Covid-19, o Brasil já enfrentava índices deploráveis sobre o nível de aprendizagem de crianças e adolescentes. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019, divulgado em setembro de 2020, mostrou que, apesar de avanços de todo o sistema de ensino brasileiro, apenas os anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, cumpriram a meta de qualidade nacional estabelecida para o período.

No dia 25 de outubro, as escolas estaduais do Rio de Janeiro voltaram às aulas 100% presenciais. Embora consideremos o retorno de extrema importância, muito nos preocupa o fato de inúmeras unidades não contarem com a infraestrutura adequada para receberem mais de 700 mil estudantes, tendo em vista que há diversas pendências a serem corrigidas para que este retorno seja realizado com segurança.

Temos recebido  denúncias de professores em relação ao descumprimento dos protocolos propostos pela Seeduc como: salas de aula superlotadas e sem ventilação, falta de funcionários para garantir a aferição da temperatura e evitar  aglomerações, algumas unidades não possuem álcool em gel suficiente para uso dos funcionários e alunos, entre outras questões.

Sabe-se que o enfrentamento da pandemia na área educacional tem sido desafiador em todos os níveis de ensino uma vez que as desigualdades de acesso às tecnologias agravaram o cenário de incertezas em que toda a comunidade escolar está inserida. A necessidade de ofertar novas abordagens diante desse panorama, como ensino a distância, fez com que muitos professores tivessem de se reinventar, elaborar novos planejamentos de aula e rever antigos conceitos.

A pandemia tem impactado a sociedade, que não será mais a mesma. Vários aspectos se transformaram, inclusive a educação. Mas o papel do professor permanecerá relevante em todo o processo de aprendizagem.

O professor é o mediador entre o conhecimento e o aluno, quem orienta o caminho, ajuda e auxilia na construção das habilidades essenciais para a vida profissional e pessoal. É ele quem coloca em prática o processo de ensino, tem contato direto e acompanha de perto o desenvolvimento e a formação dos alunos.

A crise que vivemos não é só sanitária, ela se tornou uma crise educacional já que depois de um ano e meio de escolas fechadas, as perdas de aprendizagem seriam ainda piores do que se revelaram se não houvesse alguma atividade para mitigar os danos por tanto tempo, em tantas escolas.

É possível que pais e alunos se preocupem que, nesse momento, quando as escolas começam a voltar ao ensino presencial, a lista de desafios e a dificuldade de aprendizagem estejam maiores. E isso não é uma inverdade. No entanto, o cenário deve ser de esperança e as medidas de segurança sanitária devem ser mantidas a fim de que as vidas sejam preservadas.

 

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