Imagem/Fonte: http://www.sitedejacarei.com.br/noticia/detalhe/319/veja-tudo-o-que-rola-na-cidade-na-area-esportiva/

Artigo: Vencendo desafios

  • Teresinha Machado da Silva

 

   E lá se vão as Olimpíadas Rio 2016. Comemoradas e criticadas, mostraram a ambiguidade de um país miserável e rico, corrupto e digno, grande e pequeno, mas que, acima de tudo, sabe fazer uma festa como ninguém.

   A 31ª edição dos Jogos Olímpicos, realizada no Rio de Janeiro, mostrou ao Brasil e ao mundo a capacidade, a eficiência e o talento do povo brasileiro para organizar o maior evento esportivo do planeta. Mais uma vez, o povo respondeu com eficiência àqueles que, dentro e fora do país, insistiam em afirmar que as Olimpíadas do Rio seriam um fracasso.

   Com criatividade, inteligência e eficácia, o Brasil recebeu pessoas do mundo inteiro e ainda mostrou, com beleza e graça, a cultura, a diversidade e a inventividade de seu povo.

   Os atletas olímpicos receberam medalhas e o reconhecimento aos seus esforços e talentos permitem-lhe futuros benefícios pessoais, bem como a reverência a todos os seus compatriotas. Conforme citado pelo Senador Cristovam Buarque, em artigo publicado no último dia 20/08, no Jornal O Globo: “O pódio é uma escada ao sucesso pessoal do medalhista e também uma alavanca ao prestígio do seu país.” Da mesma forma, a educação deverá seguir essa regra: ser escada social para as crianças e jovens e alavanca para o progresso.

   Infelizmente, as despesas de bilhões de reais com obras superfaturadas não-prioritárias e isenções fiscais faliram o estado do Rio de Janeiro. A corrupção, em nosso país, contamina nossa sociedade, a qual está cada vez mais descrente. Escândalos e impunidade fazem com que o poder público perca o respeito da população. A conta dessa transferência de recursos públicos para os bolsos privados resulta na falência e no sucateamento dos serviços públicos essenciais como educação, saúde e segurança que são direitos garantidos na Constituição Federal.

   Sabe-se que não somente o estado do Rio de Janeiro, assim como o Brasil, passa por um momento de crise severa. O dinheiro público aplicado nesse evento poderia ter sido direcionado a áreas essenciais supracitadas.

   Os anos passaram e não conseguimos formar jovens para modalidades esportivas acessíveis à educação pública. Há modalidades em que é possível desenvolver talentos sem necessidade de um investimento alto como, por exemplo, o atletismo: corrida, revezamento e corrida com obstáculos, cujo potencial, muitas vezes, é descoberto na infância.

   O Censo Escolar 2015 mostrou que seis de cada dez escolas públicas do país não possuem quadra esportiva, o que significa que a educação física, componente curricular obrigatório, muitas vezes, não pode ser  totalmente implementada.

   Quando o ensino público incorporar, de fato, a educação para o esporte, o que ganharemos não serão apenas medalhas, mas algo ainda mais valioso: uma geração de jovens mais preparados, disciplinados, com menos risco de entrar nas drogas e na contravenção.  E, claro, a oportunidade de revelar novos ídolos e bons exemplos que sirvam de inspiração para nossas crianças e jovens.

   Nós, da UPPES, lutamos por uma educação de qualidade e por  um governo que proporcione o estudo a todas as crianças e jovens, pois cada uma delas representa um potencial, tendo a chance de se tornar um atleta.

   O país provou que, quando quer, é capaz de realizar um trabalho com excelência. Gostaríamos que o mesmo investimento realizado nas Olimpíadas fosse realizado na educação pública do nosso país, com o mesmo empenho, dedicação e esforço.

   Esperamos que a onerosa coleção de arenas, estádios e ginásios  construídos para os jogos olímpicos sejam, de fato,  destinados ao desenvolvimento do esporte de atletas brasileiros e para as futuras gerações.

   Que venham, agora  os jogos Paralímpicos, e que depois deles, saibamos vencer os desafios fora dos campos e  das quadras, rumo à consciência, à probidade e à dignidade.

 

Publicado em 30 de agosto de 2016 na coluna Sem Censura, do jornal Folha Dirigida.

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