Artigo da presidente: Educação pública clama por investimentos

   Ao refletirmos sobre a relação entre educação e violência, podemos perceber que a educação é o pilar principal para o desenvolvimento de um país. Ela trará não só conhecimento de português, matemática, física ou química, mas também uma série de benefícios que garantirá uma melhor qualidade de vida à população.

  Sabe-se que quanto maiores são as taxas de escolarização, menores são os registros de violência. A baixa escolaridade discrimina o cidadão. No entanto, o discurso sobre a necessidade de melhoria do nível educacional do povo brasileiro não tem sido colocado em prática. Vivemos num desrespeito constitucional, já que a nossa Constituição determina que a educação seja um direito fundamental, o que, infelizmente, não é o retrato da realidade que vivemos.

   Ao longo da nossa história, o Brasil cometeu um erro grave ao não priorizar  o direito à educação para todos como principal pilar de um projeto de país, o que não apenas limita o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população como contribui para a manutenção das desigualdades sociais que afligem, sobretudo, os mais pobres.

  A tão falada desigualdade surge logo nas primeiras etapas da vida, quando a criança e o adolescente de classes menos favorecidas precisam trabalhar para ajudar no sustento da família, ao invés de aproveitar o tempo na escola, que, por lei, deveria ser oferecida sem nenhuma dificuldade. O abandono dos estudos pode ser uma ponte direta para a vida do crime. Um estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef)  , no final de 2017, apontou que 70% dos jovens brasileiros entre 14 e 19 anos que são vítimas ou autores de homicídios estão fora da escola há, pelo menos, dois anos.

   A UPPE-Sindicato sempre pautou a luta incondicional por uma educação pública, gratuita, inclusiva, laica e de qualidade por considerar a educação como um pilar fundamental para o desenvolvimento de uma nação. Contudo, é preciso que a priorização da educação saia do discurso e se concretize em ações e políticas de Estado que não se esgotem em um governo. Alguns instrumentos já foram discutidos, como o Plano Nacional de Educação (PNE). Agora, ele precisa ser reavaliado frente à nova realidade econômica e implementado de forma consistente.

   Ao invés de apenas compararmos nosso desempenho com o de outros países, devemos seguir os seus exemplos e priorizar a educação de qualidade para todos, com foco na valorização dos professores com salários que os dignifique.

   Como o problema da segurança pública no Brasil é algo que já está em estágio avançado, cabe às autoridades brasileiras investir mais em nossas escolas. Mais do que a segurança pública, a educação pública brasileira clama por mais investimentos e uma atenção especial e diferenciada. Enquanto esta for colocada em segundo plano, o Brasil continuará sendo subdesenvolvido e continuará perdendo muitos jovens para a escola do crime.

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